António José Pinto da Silva

António José Pinto da Silva nasceu a 11 de outubro de 1948 em Açores, uma aldeia do distrito da Guarda. Filho de Isilda Marta e Júlio Pinto, teve 6 irmãos. Cresceu numa grande família com muito poucas posses. 

Aos 17 anos decidiu que queria vir para a “cidade grande” em busca de melhores condições de vida, mais informação e conhecimento. 

Em 1966, com ajuda de um amigo que o trouxe para Lisboa, começou a trabalhar como servente numa empresa de artes gráficas, a Gris Impressores, no Cacém. 

Foi mobilizado para a guerra colonial, mas ficou nos serviços gráficos da Academia Militar durante 33 meses. Regressou à empresa no Cacém e aos poucos foi ascendendo, tornando-se posteriormente ajudante, meio-oficial, oficial e chefe, cargo que desempenhou durante 35 anos, e manteve-se nessa área profissional até à idade da reforma.

É atualmente Vogal da União das Freguesias Cacém e São Marcos.

Parte 1 de 3

00:00:51 Local nascimento aldeia Açores, Celorico da Beira, distrito da Guarda, família grande, com sete irmãos, desde criança trabalhou a guardar ovelhas, vacas e cavalos, ambiente familiar de dificuldades;
00:03:21 a vontade de mudar de vida surgiu por volta dos 12/14 anos; a exclusão das conversas dos adultos, interesse em aceder à rádio, ao jornal e ao livro; aos 16 anos acede à primeira rádio comprada pelos pais a prestações, por pressão dos filhos;
00:04:54 nasceu 11 outubro 1948, mas registado a 28 de novembro, por questões financeiras;
00:05:21 importância da rádio para ouvir relatos de futebol enquanto trabalhava; vivência da escola primária, os professores e a avó;
00:12:58 viu pela primeira vez televisão, na casa do senhor da terra, em 1961, o Benfica jogava a final do campeonato europeu; dificuldades em tornar a ver televisão, a PIDE; o que era ser o “Senhor” da terra;
00:18:10 a ida para Lisboa, foi para o Cacém para empresa Gris Impressores, com 16 anos e meio, viveu em más condições, passou fome, o que valeu foi empresa ter refeitório, posto medico, e adiantar-lhe o pequeno almoço;
00:21:10 empresa gráfica onde esteve 17 anos, entrou para máquina de plastificar; oficial com quem trabalhava era da PIDE; panfletos políticos, prisão José Pedrogão; primeiros patrões Sebastião Alves, dono laboratórios Atral-Cipan, e Fernando Guerra, presidente Associação Portuguesa de Livreiros, com grupo de empresas Gris Impressores, Verbo, Celize e Ulisseia;
00:23:54 um ano e meio depois de entrar na gráfica, em 1969, assenta praça no Quartel militar da Carregueira sendo mobilizado para Angola; dois irmãos foram para a guerra em Angola, o mais novo morreu lá em combate; Tó Zé foi desmobilizado 10 horas antes do embarque; a importância da memória e da homenagem ao irmão, 44 anos depois;
00:31:02 o chefe dos acabamentos Pinto e a entrada na secção de impressão offset;
00:32:06 na tropa com ordenado 65 escudos por dia; regresso da tropa à empresa gráfica, vantagem de estar livre da vida militar; Tó Zé e o colega Abel Figueiredo ameaçam despedir-se e conseguem ser aumentados para 1500 escudos; passou conduzir uma máquina sozinho;
00:35:51 nada se imprimia sem passar pela censura; o Diário de Lisboa, o Século, a A Bola, o Domingo Desportivo, os livros, conhecidos por monos; empresa colaborava com sistema censório chamava-lhe controlo e qualidade.
00:38:28 imprimiram Portugal e o Futuro, de António Spínola; Portugal Amordaçado, Mário Soares, Enciclopédia Luso-Brasileira, Lusíadas, de Luís de Camões, a obra de António Sérgio, José Régio, Fernando Pessoa. Aprovava as cores, conferia os textos.
00:39:47 apreensão pela PIDE de livro, em 1968-69, sobre os tumultos em Angola, em 1961.
00:41:10 censura dos livros era feita antes de entrar na Gráfica, mas empresa era obrigada a ter equipa;
00:42:13 PIDE não o deixou ir funeral do irmão; a Impressão na Pedra; na Academia Militar esteve nos serviços gráficos durante 33 meses; capitão Dantas e general Ramalho Eanes; trabalhava com civil, mestre Castro; incidente em que foi salvo de prisão militar por filha de capitão; imprimia passaportes, despesas, ordens de serviço; inovou na cozedura de chapa, de 1 minuto para 3, o que permitiu passar de 100 para 20.000 impressões;
00:47:18 General António Amaro Romão e João de Deus Mendes Quintela, o primeiro e segundo-Comandante da Academia Militar, pedem-lhe para mostrar máquina a trabalhar; Tó Zé era primeiro-cabo e não usava o quico; corrupção na gasolina e minimercado;
00:53:03 hierarquia na Academia Militar: chefe serviços gráficos capitão Neto, acima chefe offset, mestre Castro e chefe da tipografia Martinho; não havia cursos, ascendia-se com muito trabalho, passando fome, com ambição, e muita observação; trabalhou em 3 empresas em 46 anos; curiosidade em aprender: a revista Flama; a importância da experiência: a cor na prova; a % da cor que se perde na impressão, a necessidade de compensar, o tipo de papel;
00:53:03 hierarquia na Academia Militar: chefe serviços gráficos capitão Neto, acima chefe offset, mestre Castro e chefe da tipografia Martinho; não havia cursos, ascendia-se com muito trabalho, passando fome, com ambição, e muita observação; trabalhou em 3 empresas em 46 anos; curiosidade em aprender: a revista Flama; a importância da experiência: a cor na prova; a % da cor que se perde na impressão, a necessidade de compensar, o tipo de papel;

Parte 2 de 3

00:00:45 até à impressão tinha de haver diálogo entre o responsável máximo de cada sector; alguém pede orçamento, era registado quem fornece os elementos, se o cliente fornece elementos preparados, havia sector que verificava para seguir para montagem; entrada, composição/redação, fotografia e depois montagem; o chefe de impressão; no offset com fita corrida já prova na montagem, fotolitos enviados para o transporte, passagem do fotolito à chapa, a chapa era revelada; lupa, conta fios, quadricromia, passagem à chapa; diferentes % preto, azul, magenta e amarelo, escala de cores, escala de % de redes que dá a cor; hoje é tudo diferente;
00:07:08 Academia Militar tinha offset e tinha impressão na pedra, um balancé com um rolo de diâmetro cerca 15/20 cm na pedra limpinha, impressão folha de 5 em 5 minutos;
00:09:04 impressão com chumbo, gravar ouro; os gráficos tinham que beber 1/2 litro de leite por dia, tintas tóxicas; primeiro emprego 50 escudos por dia, para não passar fome fazia horário das 8h às 5 da tarde e das 5 da tarde às 8 da manhã no outro dia, 24 horas;
00:15:09 Empresa Resopal- Indústria Gráfica, de Mem Martins, convite para ir Alemanha, para aprender usar máquina nova, recusa eles que venham cá para ensinar; avaria de máquina, corpo mão anda, resolução problema, 1972;
00:18:33 um recomeçar, uma terceira vida, saída vida militar, chefe Henrique Leitão, tinha ano e meio profissão gráfico emoção de tomar conta máquina sozinho com ajudante, fez as guardas da Enciclopédia portuguesa e brasileira; segundo trabalho, com duas chapas correu bem, ouviu “temos aqui oficial”; passou de ordenado 2 contos para 3.900 e ao fim de dois meses 5.250, um mês depois para 6 contos; grandes diferenças salariais;
00:23:45 pós 25 Abril na Resopal arte gráfica de qualidade; cliente inglês livros Top Gun, volumes com imagens de flores, plantas e cogumelos, ganhou conhecimento;
00:25:10 um trabalho que correu mal, livro sobre a vida sexual, 1 milhão e 200 mil livros, descobre gralha, mossa, às 3 da manhã; outra impressão que correu mal, livro em nove idiomas, o assumir de encargos, os despedimentos e a solução;
00:30:07 em 1970 na Academia Militar medo de que o capitão Dantas fosse PIDE, o cansaço guerra colonial; estratagemas para fugir à guerra;
00:36:31 no Cacém não tinha tempo para ir a Lisboa, o divertimento era o Benfica e os bailaricos;
00:38:26 Antes do 25 de Abril lia O Século; o taberneiro António Castro Coelho era correspondente do O Século; diferença aldeia e Cacém, o Avante, MDP-CDE, o Diário de Notícias, o Diário Popular, o Expresso;
00:42:15 se puder lamentar uma coisa é não ter ido para a universidade; o choupal e o gosto por arqueologia; ouvia os Parodiantes de Lisboa, o RCP, o Paulo de Carvalho;
00:47:02 sindicalismo dos gráficos, no pós 25 de abril, não alinhou, empresa com posto médico, enfermaria, refeitório, quiseram ocupá-la, destruíram a empresa; lutas antes 25 abril, a administração tinha pessoas a controlar, despedia-se sem problema, o medo instalado;
00:49:52 na Academia Militar um levantamento de rancho, reivindicavam continência ao fim de um ano e aumento para 3 contos e 500, fez piquete de prevenção; novo piquete devido festa organizada pelos alunos; 30 dias prisão por pegar numa cadeira.

Parte 3 de 3

00:01:30 um dia de trabalho, turnos
00:01:30 um dia de trabalho, turnos
00:02:43 evolução na profissão; as diferentes máquinas 1 e duas cores; coleção da Anita; o desafio da máquina a quatro cores; máquina tira e retira;
00:08:00 “uma revolução não se faz em 50 anos; o dia 25 de abril; a informação sobre o golpe de Estado; Álvaro Cunhal; Avante; açambarcamento no supermercado onde trabalha a esposa; comboios parados no Cacém; impedido de entrar na empresa para trabalhar por um piquete de greve; maiorias silenciosas; 25 de novembro;
00:08:00 “uma revolução não se faz em 50 anos; o dia 25 de abril; a informação sobre o golpe de Estado; Álvaro Cunhal; Avante; açambarcamento no supermercado onde trabalha a esposa; comboios parados no Cacém; impedido de entrar na empresa para trabalhar por um piquete de greve; maiorias silenciosas; 25 de novembro;
00:15:50 convulsões sociais e conflitos; lutas laborais; comissão de gestão com elemento do Estado; empresa acaba por fechar;
00:15:50 convulsões sociais e conflitos; lutas laborais; comissão de gestão com elemento do Estado; empresa acaba por fechar;
00:18:37 sindicatos; SINDEGRAF; “os sindicatos não traziam valorização nenhuma à profissão e nem ao funcionamento das empresas”; “por tudo se fazia uma greve” ; uma greve por uma garrafa de vinho;
00:18:37 sindicatos; SINDEGRAF; “os sindicatos não traziam valorização nenhuma à profissão e nem ao funcionamento das empresas”; “por tudo se fazia uma greve” ; uma greve por uma garrafa de vinho;
00:22:00 testemunha acidente de trabalho do colega Magalhães na máquina onde trabalhava a 19 de março de 1973
00:22:00 testemunha acidente de trabalho do colega Magalhães na máquina onde trabalhava a 19 de março de 1973
00:24:00 evolução da segurança no trabalho; “a segurança era zero”; lesão com “a máquina checoslovaca, todos os comandos pelo lado esquerdo”;
00:24:00 evolução da segurança no trabalho; “a segurança era zero”; lesão com “a máquina checoslovaca, todos os comandos pelo lado esquerdo”;
00:28:00 formação na prática; mestre e aprendiz;
00:28:00 formação na prática; mestre e aprendiz;
00:30:00 o problema das estrias; chapa mal gravada; cauchu de má qualidade; bateria (conjunto de rolos de diferentes diâmetros); explicação do processo de impressão; tomador de tinta; rolos de água; fundo geral; papel segundas vias; afinar baterias; alceamento; INAPA; a qualidade do cauchu, como comprar; responsável de compras; importância de comprar materiais de qualidade
00:30:00 o problema das estrias; chapa mal gravada; cauchu de má qualidade; bateria (conjunto de rolos de diferentes diâmetros); explicação do processo de impressão; tomador de tinta; rolos de água; fundo geral; papel segundas vias; afinar baterias; alceamento; INAPA; a qualidade do cauchu, como comprar; responsável de compras; importância de comprar materiais de qualidade
00:43:00 Graficenter em Mainz; cramalheira; técnicos das empresas de máquinas impressoras alemãs vinham às gráficas para identificar problemas a resolver e soluções que os profissionais locais encontravam para posteriormente implementar; Manroland envia gratificação; profissão gráfico
00:43:00 Graficenter em Mainz; cramalheira; técnicos das empresas de máquinas impressoras alemãs vinham às gráficas para identificar problemas a resolver e soluções que os profissionais locais encontravam para posteriormente implementar; Manroland envia gratificação; profissão gráfico
00:51:00 morte de Sá Carneiro; fecho das gráficas; redução do número dos gráficos; competição entre empresas; mão de obra mais barata fora de Lisboa; colofon; cor casquinha de ovo para imitar papel velho; Abel Figueiredo;
00:51:00 morte de Sá Carneiro; fecho das gráficas; redução do número dos gráficos; competição entre empresas; mão de obra mais barata fora de Lisboa; colofon; cor casquinha de ovo para imitar papel velho; Abel Figueiredo;
00:59:00 diretor adjunto de produção; Herman Hanz; culturas profissionais portuguesas e alemãs;
00:59:00 diretor adjunto de produção; Herman Hanz; culturas profissionais portuguesas e alemãs;
01:03:00 meio-oficial na Seleprinter durante 6 meses; publicidade; autocolantes, cartazes; campanha CDS Freitas do Amaral; chefe geral em 1983 e responsável de uma máquina; 8 anos depois muda novamente de empresa com muito melhores condições, como chefe de turno; invejas profissionais;
01:03:00 meio-oficial na Seleprinter durante 6 meses; publicidade; autocolantes, cartazes; campanha CDS Freitas do Amaral; chefe geral em 1983 e responsável de uma máquina; 8 anos depois muda novamente de empresa com muito melhores condições, como chefe de turno; invejas profissionais;
01:10:00 digitalização; vê o primeiro computador em 1969; fita corrida; dificuldades na produção antes da digitalização; pantone; composição e montagem; 1990 introdução do computador; rotativas; CPC;
01:10:00 digitalização; vê o primeiro computador em 1969; fita corrida; dificuldades na produção antes da digitalização; pantone; composição e montagem; 1990 introdução do computador; rotativas; CPC;
01:10:00 digitalização; vê o primeiro computador em 1969; fita corrida; dificuldades na produção antes da digitalização; pantone; composição e montagem; 1990 introdução do computador; rotativas; CPC;
01:10:00 digitalização; vê o primeiro computador em 1969; fita corrida; dificuldades na produção antes da digitalização; pantone; composição e montagem; 1990 introdução do computador; rotativas; CPC;
01:22:00 não podia ver uma máquina maltratada; Resopal;
01:22:00 não podia ver uma máquina maltratada; Resopal;
01:26:00 autarca; percurso na junta de freguesia do Cacém, São Marcos desde 2013; Assembleia de freguesia; executivo de freguesia desde 2017; Partido Socialista; José Estrela Duarte.
01:26:00 autarca; percurso na junta de freguesia do Cacém, São Marcos desde 2013; Assembleia de freguesia; executivo de freguesia desde 2017; Partido Socialista; José Estrela Duarte.