Teresa Fernandes

Maria Teresa Rodrigues Fernandes, conhecida profissionalmente como Teresa Fernandes, nasceu no Funchal, na Madeira, a 28 de fevereiro de 1961.

Teresa Fernandes é uma profissional de comunicação social com uma vasta experiência em rádio, publicidade e televisão. A sua carreira foi marcada pela sua criatividade, versatilidade e dedicação à profissão. A sua voz inconfundível e o seu trabalho nas autopromoções deixaram uma marca indelével na história da televisão portuguesa.

Origem Familiar e Infância:

O pai era militar de carreira, tendo sido tenente-coronel, e a mãe era professora. Desde cedo, Teresa era fascinada pela televisão, repetindo os anúncios publicitários que via na RTP a preto e branco. Aos 13 anos, durante o 25 de Abril, acompanhou o entusiasmo da época e admirava figuras políticas como  Freitas do Amaral, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Mário Soares .

Percurso Académico:

Frequentou o Liceu São João do Estoril, onde testemunhou e participou nos momentos inesquecíveis que se seguiram à revolução. Do fervor político das RGAs aos movimentos satíricos de que também fez parte.
Após terminar o liceu, pretendia ingressar em Comunicação Social, mas foi impedida por não ter aulas de matemática como disciplina no ensino secundário.

Optou então por inscrever-se em Línguas e Literaturas Modernas, com variante em inglês e alemão, na Universidade Nova de Lisboa.

Carreira Profissional:

Ainda durante a universidade, começou a trabalhar em diversas áreas, incluindo num bar/restaurante e como professora de português para estrangeiros no Centro de Línguas (CIAL).

A sua paixão pela comunicação levou-a à Rádio Renascença, onde iniciou a sua carreira como locutora, após um teste de voz. Na Rádio Renascença, trabalhou num programa matinal, onde aprendeu muito com Rui Pêgo. Mais tarde, mudou-se para a CMR, uma rádio pirata, em 1987, onde teve a oportunidade de desenvolver um projeto inovador e desafiante. Na CMR, foi animadora e autora de programas como o “Espelho da Água”, entre outros.

Na Publicidade, paralelamente à rádio, iniciou uma prolífica carreira como locutora de publicidade, gravando inúmeros anúncios. O seu primeiro trabalho foi um spot rádio para a revista “Eles e Elas”. O primeiro anúncio TV foi para a Tahiti Banho. Um anúncio para a marca de automóveis Rover, marcou um momento de mudança na sua carreira. Desde 1985 a sua voz fez-se ouvir na televisão, rádio , no telemóvel (Voice mail tmn) no carro(computador de bordo) nos comboios  e também em estações de gasolina.

Em 1986, iniciou a sua colaboração com a RTP, no programa “Viajar em Portugal”. A sua participação neste programa envolvia improvisação e interação com os locais visitados. Mais tarde, na RTP, fez a locução e escreveu os textos para o programa TVER, uma versão moderna do “Cartaz TV”.

Também escreveu textos para vários lançamentos da RTP ( RTP Internacional e RTP África) e apresentação de novas apostas da estação.

Em 1992, ingressou na TVI,a convite de Hugo Andrade. Na TVI, desempenhou várias funções, incluindo copywriter, locutora e editora. Durante mais de 25 anos chefiou a equipa de auto promoções da Direção Criativa.

Foi responsável pela criação e produção de inúmeras autopromoções, tanto para programas de entretenimento como para conteúdos informativos. Trabalhou em diversas campanhas institucionais da TVI e em inúmeros lançamentos de ficção, entretenimento e informação.

A autopromoção para o último episódio da novela “Ninguém Como Tu”, que teve um grande aparato e gerou grande expectativa, foi um exemplo de comunicação integrada.

Durante a criação da CNN Portugal, as promoções respeitaram a origem do canal, destacando a sua história e importância internacional.

Com a introdução da edição não linear, a equipa passou a ter maior controlo sobre o processo criativo, das autopromoções começando a desenvolver as promoções a partir do copy e não do editor.

Apesar de não ter formação em edição de vídeo, aprendeu a editar à sua maneira, o que lhe permitiu ter maior controle sobre o produto final. Teve um papel fundamental na criação e desenvolvimento da identidade da TVI e das suas promoções. Apesar de ter sido uma profissional multifacetada, era frequentemente reconhecida como a voz da TVI.

Competências, Reconhecimento, Atividade Recente e Futuro:

Desenvolveu uma voz marcante e versátil, adaptando-a a diferentes tipos de conteúdo, quer na rádio, na publicidade ou na televisão. Ganhou um Sete de Ouro como voz revelação quando estava na CMR.

Saiu da TVI em dezembro de 2024, mas mantém uma ligação emocional à estação onde esteve mais de 32 anos. Montou um home studio para locução e pretende explorar novas áreas, como a escrita de livros infantis, audiobooks e voltar a dar aulas de voz.

Teresa Fernandes em conversa com Paulo Barbosa, na Escola Superior de Comunicação Social, Lisboa, a 15 de janeiro de 2025. Entrevista registada e editada por Paulo Barbosa.

Parte 1 de 3

00:00:35 apresentação de Maria Teresa Rodrigues Fernandes, conhecida profissionalmente por Teresa Fernandes;
00:00:47 data e local de nascimento; 28 de fevereiro de 1961; Funchal, Madeira;
00:00:54 origem familiar; influência dos pais na carreira profissional; pai militar (tenente-coronel); mãe professora;
00:01:57 primeiras memórias de televisão; televisão a preto e branco; Rádio e Televisão de Portugal (RTP); festivais da canção;
00:02:14 infância e televisão em casa; publicidade na infância;
00:02:54 revolução de 25 de Abril de 1974; pai e irmão informados; entusiasmo juvenil; políticos da época (Marcelo Caetano, Freitas do Amaral, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Mário Soares); adolescência e política;
00:05:20 partidos fictícios criados no Liceu; DIECTA (Dormimos Imenso e Comemos Tenazmente a Potes); CUBO (partido antagonista do DIECTA); RGA (Reunião Geral de Alunos); Liceu São João de Estoril;
00:07:31 consumo de rádio na adolescência; Rádio Comercial; Rock em Stock;
00:08:47 leitura de jornais, a partir dos 20 anos; Público; Diário de Notícias; Blitz; Sete;
00:10:52 percurso académico; Universidade Nova de Lisboa; Línguas e Literaturas Modernas (variante inglês e alemão);
00:12:15 primeiros trabalhos em bar/restaurante; experiência a lecionar no Instituto de Línguas (Cial); ligação ao Parlamento Europeu; aulas de português a estrangeiros;
00:14:23 entrada na rádio; Rádio Renascença; Júlia Pinheiro; Rui Pêgo; teste de voz; António Sala; Olga Cardoso;
00:17:32 aprendizagem na rádio com Rui Pêgo que tinha experiência de fazer rádio em Angola;
00:17:51 inovação na Rádio Renascença; jogos de antena; uso de passatempos com prémios (como eletrodomésticos, máquina de lavar roupa, varinha mágica);
00:20:47 jogos de rádio; verdade ou mentira; Diário de Notícias como fonte;
00:22:09 jogo da mala; lista telefónica; prémio para jovem de Torres Vedras;
00:23:21 influência comercial na rádio;
00:24:07 início na locução publicitária na Rádio Renascença; Revista Eles e Elas; João Chaves; Oceano Pacífico; Nacional Filmes;
00:26:06 primeiro anúncio fora da rádio; anúncio Tahiti Banho; João Rapazote; Panorâmica 35;
00:30:23 ausência de formação em voz;
00:30:35 explosão da publicidade nos anos 80; Maria Helena d’Eça Leal como modelo a seguir; Publicidade a carro Rover; Publicidade Sheba; Estúdios Valentim de Carvalho;
00:36:38 entrada na RTP; Viajar em Portugal; casting em Torre do Belém; Luís Montez; Filomena Crespo; Fernando Lourenço; Estúdio no Lumiar;
00:39:00 gravação em película; moviola; improvisação em exterior; experiência nas filmagens em Pulo do Lobo; Mértola; Serpa;
00:43:41 início do programa da RTP TVER com promoção da programação da semana seguinte; Hugo Andrade; RTP Internacional; RTP África; Alcântara Café;
00:48:08 passagem profissional pelo Correio da Manhã Rádio (CMR); projeto de rádio pirata; Rui Pêgo; Jorge Peixoto; TSF; Emídio Rangel;
00:51:31 autoria de programas; Espelho da Água; Sete de Ouro;
00:52:57 fecho do CMR; regulação das rádios piratas; João Paulo Guerra; Simply Red, Every Time We Say Goodbye; Presse Livre; Rádio Regional;
00:57:02 entrada na TVI; Hugo Andrade; Zé Nuno Martins;
00:59:45 departamento de autopromoções; escrita de textos; Rui Morrison; Marques André; Eduarda Colares;
01:02:10 processo de edição de promoções; EDL (edit decision list); pós-produção vídeo;
01:05:00 programas na TVI; Estação do Oriente; Fórum Estudante; Lanterna Mágica; Luís Marques; cenários virtuais;
01:08:14 colaboração com Miguel Somsen; Lanterna Mágica; crítica de cinema; telefilmes;
01:11:16 chefia de autopromoções; copy; locução; edição; “profissional de comunicação social”;
01:13:43 equilíbrio entre informação e persuasão; bom senso em promoções;
01:15:27 identidade profissional; publicitária vs. jornalista; tagline em televisão;

Parte 2 de 3

00:00:08 introdução à evolução do processo de trabalho; passagem das fitas para edição não linear; impacto do não linear; liberdade criativa; aumento da equipa na TVI; reorganização do trabalho;
00:02:01 pós-produção áudio; estrutura transversal da estação; ilhas de edição; finalização de peças;
00:03:09 processo prático no não linear; software AVID; acesso dos copys ao material; timeline vs. folha de alinhamento; seleção de soundbites;
00:05:47 papel dos editores de vídeo; copy vs. editor; modelo híbrido (copy-editor); comunicação em equipa;
00:07:41 vantagens da polivalência; formação em copy e edição; “Champagne Spots on a Beer Budget”;
00:10:07 adaptação ao público; Secret Story; independência dos gostos pessoais; desafios criativos;
00:12:56 aprendizagem de edição por Teresa Fernandes; influência da rádio; ritmo e musicalidade; bancos de música;
00:16:14 edição como processo criativo; Festa é Festa; inspiração em imagens, frases ou música;
00:18:24 melhoria na qualidade da edição; controlo criativo; TVI24; pausas e intervalos; Assembleia da República; YouTube; músicas de Wax Taylor como inspiração;
00:22:22 promoções com frases célebres; “ET Phone Home”; frase de “When Harry Met Sally”; frase de “Jessica Rabbit”; frase da Catarina do Bloco de Esquerda;
00:24:04 inspiração em bandas sonoras; Eurosport; “Watts Zap”; Super Slow Motion; Luís Branco; Sócrates;
00:26:51 reação da informação; pausas e intervalos vs. conteúdo; surgimento da CNN Portugal;
00:28:38 diretivas da CNN Portugal; lançamento com imagens americanas; identidade internacional;
00:29:46 formação na RTP e TVI; protocolos de formação; mudança de software (AVID para Premiere);
00:30:51 formação criativa; PromaxBDA; conferências americanas e europeias; “Champagne Spots on a Beer Budget”;
00:32:31 gestão de orçamento; gravações externas; campanhas de novelas;
00:34:10 equipa técnica em gravações; operadores de câmara; editores como realizadores;
00:34:52 outsourcing de promoções; canal V+; produtoras externas; CNN Portugal;
00:37:07 promoções diárias; Goucha; Cristina; packshot; PPA (Plano de Publicidade e Promoção);
00:37:51 integração de patrocinadores; automação com Gmedia; razões comerciais;
00:40:26 controlo do calendário de exibição; emissão corrida; ajustes face à concorrência;
00:41:38 separadores nos breaks publicitários; duração mínima (três segundos); conteúdo em seis/sete segundos;
00:42:43 evolução dos separadores; necessidade de captação; RTP; SIC; TVI;

Parte 3 de 3

00:00:04 estudo de Vítor André Dinis Oliveira (2012) sobre tempo ocupado por conteúdos de autopromoções; autopromoção na TVI; três horas diárias;
00:00:43 duração das autopromoções na TVI; reconciliação de valores; telepromoções (ex.: Calcitrin); duração média (23 a 30 segundos);
00:02:40 direção de marketing; outdoors; entrevistas em programas (ex.: Goucha); distinção entre spot e autopromoção;
00:03:36 gestão de conteúdos internos; uso de materiais promocionais por programas e informação; mosca da TVI; Direção Criativa, Marca e Inovação;
00:06:52 inserção de temas no telejornal; decisão editorial (ex.:Big Brother, Marco); contexto de popularidade;
00:08:10 imprensa escrita; fornecimento de sinopses e fotos; fofocas nas redes sociais; bastidores dos programas (ex.: Alexandra Lencastre);
00:10:42 adaptação para redes sociais; formato 9:16; reels; teasers; posters; MCD (Marketing, Comunicação e Digital);
00:13:19 caso relevante de autopromoção: último episódio da novela Ninguém Como Tu; mistério “Quem matou o António?”; aparato com Luís Cunha Velho; Plural;
00:15:53 estratégia narrativa para construir uma autopromoção; suspense em promoções; distinção entre peça informativa e autopromoção;
00:19:12 caso relevante de autopromoção: Na Corda Bamba; promoção sem imagens; sinopse; gravação na Plural; cozinha; Dalila Carmo; Pêpê Rapazote; Maria João Bastos; Margarida Vila-Nova;
00:22:20 caso relevante de autopromoção: Olhos d’Água; promoção sem imagens; Sofia Alves; história de gémeas rica e pobre que não se conheciam;
00:24:01 caso relevante de autopromoção: Somos Nós; spots institucionais; promoção para Emmys Internacionais A a Z; pesquisa por Raquel; TVI Internacional;
00:27:27 caso relevante: FAN TVI; frases de filmes americanos; políticos portugueses Intervalo Humanos; Intervalo Não Sei; Intervalo Oração; pesquisa em sessões quinzenais;
00:29:22 arquivo próprio; promoções de audiências; exemplo de 2024/2025; Festa é Festa; Congela;
00:32:49 evolução dos salários; estagnação; Rádio Renascença; Correio da Manhã Rádio; TVI; desvalorização na indústria;
00:34:55 conselhos a novos profissionais; competências práticas; gosto pela área; autoformação (softwares gratuitos); mercado competitivo;
00:37:36 projetos futuros; saída da TVI (dezembro); home studio; locução; histórias infantis; audiolivro; curso de voz; confiança na equipa (Filipe Terruta);
00:37:36 projetos futuros; saída da TVI (dezembro); home studio; locução; histórias infantis; audiolivro; curso de voz; confiança na equipa (Filipe Terruta);