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Arquivo de Memória Oral das Profissões da Comunicação

António Modesto Navarro

António Modesto Fernandes Navarro, nasceu em Vila Flor, Trás-os-Montes, em 1942.  Escritor com mais de três dezenas de livros ficção, poesia, reportagem e antologia. É um autodidata, que aos dez anos já trabalhava na oficina de serralharia do seu pai. Entre 1963 e 1967 foi fuzileiro naval, sendo mobilizado para Moçambique (1965-1967). Em 1968 vem para Lisboa trabalhar numa Agência de Publicidade, a convite de José Saramago. Um ano mais tarde ingressa na Agência Latina. Em 1973 é um dos sócios fundadores da Associação Portuguesa de autores.
Militante do Partido Comunista Português, desde 1971,  desenvolveu intensa atividade na área da animação cultural, tendo pertencido a vários corpos diretivos de associações e cooperativas culturais, como a DEVIR, a Associação do Nordeste Transmontano, a Voz do Operário, entre outras. Foi ainda colaborador regular de vários jornais e revistas como a Seara Nova, Vértice, O Diário ou o Diário de Lisboa.  Em 1974-1975 participou nas Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do MFA.

António Modesto Navarro conversa com Júlia Leitão de Barros e Carlos Nuno. Registado por Inês Albuquerque no estúdio da ESCS em Lisboa a 23 Março de 2018.

1 * 2 * 3 * 4 * 5 * 6

António Modesto Navarro Parte 1
0:01:20 infância e instrução primária em Vila Flor
0:01:35 a escola na primeira República
0:03:52 a denúncia das crianças
0:06:44 começar a trabalhar aos dez anos
0:08:05 a biblioteca de Vila Flor
0:13:36 a mãe comprava o jornal todos os dias
0:18:18 o contacto com a obra de Redol
0:18:59 ver os desfiles da Legião Portuguesa
0:21:41 a inspecção militar
0:25:19 na Escola de Fuzileiros
0:26:20 troféus de guerra
0:26:42 falar contra a guerra
0:27:40 processos políticos na Torre do Tombo
0:29:12 militar em Moçambique em 1965
0:29:50 o primeiro romance policial, Morte no Tejo
0:32:47 tropas transformados em assassinos 
0:37:18 evacuado para Lisboa em 1966 e regresso a Trás-os-Montes
0:37:51 escrita de Contos Transmontanos

António Modesto Navarro Parte 2
0:02:30 o plágio de Libelo Acusatório
0:06:05 estágio na CIESA NCK (hoje Publicis)
0:10:40 a organização da CIESA NCK
0:11:30 as reuniões das campanhas
0:12:40 a publicidade à maneira americana
0:13:53 inquéritos de rua sobre o sabão azul
0:14:42 o lançamento do tulicreme
0:16:05 as campanhas nos diferentes meios (televisão, revistas, rádio)
0:19:38 numa agência havia tudo
0:17:21 a campanha (frustrada) da terylene, com Raúl Solnado
0:17:56 as duas regras na agência sobre relacionamentos entre homens e mulheres
0:18:30 concurso para os colchões climax
0:19:35 a segmentação em classes
0:20:22 o primeiro sociólogo nos estudos de mercado, Luís Catarino, na Mensor
0:22:20 o “documento síntese sobre as orientações”
0:23:05 o papel de Saramago na sua vinda para Lisboa
0:26:10 a entrada para a Latina
0:27:18 a estrutura da Latina
0:31:34 a junção com a Thompson (Latina Thompson Associates)
0:34:27 “naquele tempo eram três dias para fazer um anúncio”

António Modesto Navarro Parte 3
0:00:14 consciência política e campanha eleitoral de 1969 (CDE e CEUD)
0:00:40 a prática na CDE e a contradição com a alienação da publicidade
0:02:52 diferenças entre estilos publicitários
0:03:24 “os símbolos que se usavam naquela altura”
0:04:20 entrada no PCP em 1971, convidado por Saramago e Areosa Feio, e a colaboração com o MFA
0:06:03 encerramento das cooperativas culturais, pelo Estado Novo
0:07:53 prisão antes de 1974
0:11:48 publicação da História do Soldado que Não Foi Condecorado
0:13:10 a censura e a apreensão dos livros
0:14:43 um filme sobre a emigração em Vila Flor, em 1970, e a intervenção da PIDE
0:24:54 uma entrevista a um emigrante para a Seara Nova, cortada pela censura

António Modesto Navarro Parte 4

0:00:05 criação das Campanhas de Dinamização Cultural e Cívica, 1975, participação no sector da cultura e das artes, com Carlos Paredes, Rodrigo de Freitas, Bernardo Santareno
0:01:11 Comissão Organizadora Central, da 5ª Divisão, do Estado Maior das Forças Armadas, responsável pela Ação Cultural e Cívica, iniciativas de âmbito cultural e social, em Viseu, Penedono, Sernancelhe, Penela da Beira. Livro Vida ou Morte no Distrito de Visei. Gravar a Aliança Povo-MFA. Conflitos com forças reacionárias. Manifestação de apoio Grupo dos Nove em Viseu. Assalto e incêndio Centro de Trabalho PCP, um morto. Ligações PSP e ELP. O percurso político de Neto Portugal
0:09:07 Campanhas em São Pedro do Sul, aldeias Macieira do Sul, Sul, Pena, Póvoa do Rio, Gralheira. Abertura de estradas, eletrificação. Atividade capitão Fernandes
0:12:44 balanço das Campanhas de dinamização. Campanhas em Trás-os-Montes, no livro Perspetivas de Libertação do Nordeste Transmontano
0:13:27 requisitado da Agência de Publicidade Latina pelos militares para Secretaria de Estado da Cultura, do Ministério da Comunicação Social. Depois 25 de novembro 1975, fim da 5ª Divisão, integra Direção Geral de Ação Social, Palácio Foz, 350 trabalhadores, dinamização áreas teatro, música, cinema e artes plásticas, grupos teatro independente
0:14:45 animador cultural, de 1976 a 1990, na Direção Serviços de Animação Cultural junto centros culturais Viana do Castelo, Vila Real, Beira Baixa, Évora (Mário Barradas), Faro, Setúbal (Carlos César)
0:16:29 ofensiva contra funcionários públicos começa com despedimentos no sector cultura, com Teresa Patrício Gouveia e Santana Lopes,
0:17:32 pedidos de livros e criação Divisão do Livro e da Leitura, depois Instituto do Livro e da Leitura, criação Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ)
0:18:12 o censurado torna-se censor, Mário Sotto Mayor Cardia e o livro Emigração e Crise no Nordeste Alentejano, 1973 e 1975.
0:20:38 experiência na publicidade e capacidade de síntese, os escritores criativos na publicidade dos anos sessenta, Agência Êxito, Alves Redol, Augusto Costa Dias, Cardoso Pires, Luís de Sttau Monteiro, Ari dos Santos, José Saramago. Moreno Pinto e a primeira escola de Marketing.
0:24:33 publicidade e Empresa Telecinemor, Alexandre O’Neil, Alexandre Cabral [inaudível] Rodrigues
0:25:57 participa com Teresa Mota e Manuel Madeira no filme Cunha Teles, Meus Amigos, censura, em 1973, corta 45 minutos do filme. (Ver extrato do filme aqui)
0:27:30 diferentes valorizações dos cursos de marketing e jornalismo hoje, exemplo da filha
0:32:20 a postura oposicionista não penalizou a carreira nas empresas multinacionais, “ era um tempo descendente” o marcelismo, o contraste com o jornalismo de Paris e o cinema em Veneza.

António Modesto Navarro Parte 5

0:00:03 limites à liberdade na publicidade. Campanha pneus radiais. Agência Latina, controlo Conde Covilhã. Mais vigilância CIESA- NCK.
0:01:59 censura na publicidade. Agência Latina censura a fotos de modelos pela Condessa. Censura textos.
0:03:12 campanha “Minha lã, meu amor”, maior humanismo na publicidade
0:03:45 contexto de “libertação” e “dor” no fim do Estado Novo, colóquio sobre emigração, organizado pela Associação Estudantes, Faculdade Medicina de Lisboa, com presença Zeca Afonso; experiência e trauma da guerra colonial até ao presente
0:09:44 clima de crescente mal-estar, contradições políticas entre oficiais e milicianos, eleições 1969 e 1973, prisão em Caxias 6 a 24 de abril 1974, a “última vigarice” da PIDE
0:15:08 O 25 de abril, reunião avenida Infante Santo, 5º andar, redação comunicado sobre liberdades e guerra colonial, reunião bases zona ocidental, libertação presos Caxias e Peniche, “ou saem todos, ou não sai ninguém”.
0:18:44 a publicação do livro Portugal e o Futuro, publicidade do livro, pela CIESA-NCK, a posição de Portela Filho e Eurico da Costa
0:22:10 campanha publicitária de construtora, slogan “Uma Casa para cada família”, campanha companhia de seguros, slogan “Mais seguro, mais futuro”, campanha banco Borges & Irmão “Bom dia…”, o papel de censora da Condessa, Miguel Quina.

António Modesto Navarro Parte 6

0:00:28 estudos de mercado CIEZA-NCK, batalha das margarinas Alpina e Vaqueiro
0:04:45 atividade na coletividade Verdi, no Casal Ventoso, 1970. Com Isabel Nóbrega, Alexandre Cabral, encerramento pela PIDE por peça sobre guerra colonial, do grupo teatro do Instituto Superior Técnico, atividade coletividade O Imparcial
0:09:30 “ou falas ou sais morto”, prisão 6 a 24 de abril 1974, interrogatório, isolamento e estátua, inspetor Tinoco, médico Barata, livro Emigração e crise no nordeste transmontano

A referência bibliográfica desta entrevista deverá ser feita da seguinte forma: Barros, J.; Nuno, C.; Albuquerque, I. (2018). Entrevista a António Modesto Navarro. Arquivo de Memória Oral das Profissões da Comunicação. Disponível em: https://amopc.org/testemunhos/antonio-modesto-navarro/